• Lidice Meyer

REDES SOCIAIS: NÃO PERCA O CONTROLE!


A internet viabilizou um espaço para a livre circulação de ideias e opiniões, principalmente através das redes sociais. Com o acesso facilitado pelos celulares e redes wireless, já somos mais de 4 bilhões conectados por todo o mundo. Em tempo de pandemia e isolamento social, a predisposição para passar mais tempo on-line aumenta, o que favorece o comércio eletrônico mas também aumenta o acesso a informações variadas, o contato virtual entre “amigos” e até desconhecidos.

Passamos muito mais tempo conectados e com isso recebemos muito mais informações sobre tudo, nem sempre dignas de crédito. Apesar de terem sido criadas para facilitar as relações sociais, as redes têm sido muitas vezes o pivô de desavenças, assédio, bullying e até mesmo facilitadoras para assaltos e homicídios. Através das redes sociais rapidamente instalam-se tribunais inquisidores que tanto podem elevar ou enterrar a reputação de alguém.

Quando se trata de questões políticas os ânimos ficam tão acirrados e o julgamento tão ofuscado que muitas vezes às custas de informações truncadas e não esclarecidas, abalam-se e até ceifam-se amizades de longa data. Na disposição para provar-se o mais certo e correto, faz-se de tudo para calar o contrário usando as armas disponíveis na internet, sobretudo o Facebook e WhatsApp. Fake news e mentiras políticas são veiculadas impunemente. Arvoram-se em defensores da integridade e da ética quando na verdade agem de forma contrária à ética em seus fundamentos cristãos.

Colocam-se como arautos ou profetas divinos frente a corrupção do mundo e do país. Mas estranhamente em toda a história da humanidade Deus não convocou uma multidão de profetas e sim poucos para se colocarem na “brecha” (Ez 22.30). Em meio à injustiça Deus levantou apenas um Abraão, um Moisés, um Martin Luther King. Mas hoje uma multidão acredita ter o mesmo direito de fala em suas postagens que um destes homens escolhidos por Deus.

Falam em democracia e batem de frente com o seu princípio fundamental: a liberdade de opinião. Em uma democracia não há vencidos e derrotados. Há uma escolha pela maioria e a possibilidade de vigiar, cobrar e ao fim de um período de governo, prestigiar ou não o anteriormente eleito e seu respectivo partido político. O que faz um país forte é um povo unido. Quanto mais desavenças políticas se criarem, mais enfraquecido o país se torna e mais o povo se faz em “massa de manobra”.

Vejo muitos se pautarem em frases como: “O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons” (M. Luther King). Não, não prego o silencio dos bons. Jesus diz que se os seus discípulos se calarem, as pedras clamarão em seu lugar (Lc 19.40). O que enfatizo é o uso da sabedoria e do comedimento. Jesus instruiu seus discípulos a serem “prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mt 10.16).

Se ao menos nos pautássemos pelos mandamentos: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.39) e “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Ex 20.16), evitaríamos muitos problemas. Antes de postar qualquer coisa na rede, pergunte: “A informação que vou publicar é verdadeira?”; “O que vou escrever ou compartilhar prejudica alguém?”; “Como eu me sentiria se recebesse uma mensagem contrária ao meu modo de pensar?”; “O que me motiva a fazer esta publicação?”. Tenha mais cuidado sobretudo quando for publicar dentro de uma página de outra pessoa. Domine seus preconceitos. Respeite as diferenças e não seja agressivo nas publicações e comentários. Os bons não devem se calar, mas ser prudentes ao se pronunciar.

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