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Quando Deus caminha por outros jardins

  • Foto do escritor: Lidice Meyer
    Lidice Meyer
  • há 23 horas
  • 2 min de leitura

Visitei recentemente quatro espaços sagrados diversos: um templo Hindu, uma sala de oração Ismaili, um templo Mórmon e uma Sinagoga. Chamou-me à atenção um pormenor: em todos estes espaços o masculino e o feminino eram valorizados igualmente

No Hinduísmo destaca-se o fato que os deuses estão sempre acompanhados por seus cônjuges, representando o equilíbrio cósmico na união dos gêneros.

Entre os Ismaili, uma vertente do Islamismo xiita, as cerimônias religiosas são sempre comandadas juntamente por um homem e uma mulher, não necessariamente casados.

Os templos Mórmons são administrados sempre por um casal, numa clara associação com o valor dado por Deus à família como unidade formadora da Igreja.

Na Sinagoga há sempre elementos que apontam para o valor das matriarcas ao lado dos patriarcas de Israel.

Em todos estes espaços havia jardins belíssimos e cuidados que convidavam à reflexão. Lembrei-me que Gênesis 2.15 diz: “Tomou, pois, o Senhor Deus a humanidade (adam) e a colocou no jardim do Éden para o cultivar e guardar.” Embora as Bíblias em português traduzam adam como homem, o texto original aponta para Deus colocando um casal para cultivar o jardim.

Curiosamente, culto e cultivo compartilham a mesma raiz latina, colere (cultivar, cuidar), unindo o cuidado com a terra à adoração espiritual. Assim como o cultivo de uma planta demanda trato constante, o culto a Deus exige a manutenção contínua do relacionamento com Ele. Deus estava ensinando ao primeiro casal que ao cultivar juntos, cultuavam juntos.

Por que então é justamente no cristianismo, em que o apóstolo afirma não haver distinção entre homem e mulher (Gálatas 3.28), que encontramos maior desigualdade nos gêneros?

O ápice da disparidade ocorreu na Idade Média quando o feminino foi associado à lascívia, ao perigoso e ao impuro. A liderança masculina da igreja católica foi aos poucos sendo condenada à solidão forçada, apesar de Deus declarar “Não é bom que o homem esteja só" (Gênesis 2.18).

Lutero reverteu este caminho ao perceber que era muito melhor pastorear seu rebanho tendo sua Katarina ao seu lado.

É triste ver que hoje algumas igrejas protestantes pareçam ter desenvolvido o mesmo medo medieval e irracional ao feminino defendendo uma liderança exclusivamente masculina, mesmo que seja antibíblica.

Enquanto isso, Deus parece sorrir em outras paragens que se aproximam mais de Seu projeto original: homem e mulher cultuando juntos, em igualdade.

Voltei das visitas aos espaços sagrados, com o “fator Melquisedeque” martelando em minha mente, com a sensação de que às vezes a grama do vizinho é mesmo mais verde e de que Deus também caminha por outros jardins.

Lidice Meyer

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