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A ESPIRITUALIDADE DO SERVIÇO

  • Foto do escritor: Lidice Meyer
    Lidice Meyer
  • 17 de jan.
  • 6 min de leitura

Não vos esqueçais de fazer o bem e de repartir com os outros, pois são esses os sacrifícios que agradam a Deus.”   Hebreus 13.16.

Quando chega o final do ano parece que os dias passam ainda mais depressa. Ontem mesmo o ano de 2025 começava e agora já estamos a entrar no mês de dezembro! As lojas todas já estão enfeitadas para o Natal e todos os anúncios da televisão trazem mensagens natalinas.  As escolas e as empresas já começam a planejar as festas de encerramento de ano. Há tanto que se fazer, tanto que comprar e tanto que preparar que as 24 horas do dia parecem muito curtas. Justamente quando tudo ao nosso redor prega a solidariedade, parece que há tão pouco tempo disponível ou mesmo tão pouca disposição para praticá-la. Mas é exatamente quando o exercício da Espiritualidade do Serviço se torna mais importante.

A Espiritualidade do Serviço é a prática de ajudar, amparar, servir aos outros com um espírito altruísta e desinteressado. É uma atitude interior que conduz ao crescimento espiritual do indivíduo que a realiza. Embora seja um tema central em muitas religiões, o conceito de serviço é um princípio universal que pode ser praticado por qualquer pessoa, independentemente de suas crenças. Envolve a realização de atos de serviço com uma atitude humilde, focando em ajudar os outros sem esperar reconhecimento ou recompensa, e pode ser uma forma de cultivar compaixão, gratidão e uma conexão com algo maior do que si mesmo. Os exemplos variam desde trabalho voluntário e ajuda humanitária até pequenos atos de bondade.

A Espiritualidade do Serviço envolve 4 princípios fundamentais:

1) HUMILDADE - servimos aos outros sem esperar recompensas ou reconhecimento. Pessoas egoístas não servem, porque estão tão focadas em si mesmas que não conseguem se doar aos outros. É importante que tenhamos um coração altruísta, sem esperar nada em troca quando nos dedicamos ao serviço. Devemos deixar de lado nossos próprios interesses e concentrar toda a nossa atenção em Deus e nas pessoas a quem servimos. (“Nada façais por ambição, nem por vaidade; mas, com humildade, considerai os outros superiores a vós próprios, não tendo cada um em vista os próprios interesses, mas todos e cada um exatamente os interesses dos outros.” Filipenses 2.3);

2) COMPAIXÃO/MISERICÓRDIA – A compaixão é um sentimento de profunda simpatia pelo sofrimento alheio, acompanhado pelo desejo de ajudar a aliviar essa dor, seja através de suporte emocional ou ações concretas. Enquanto a empatia é sentir a dor do outro, a compaixão é sentir a dor do outro e querer ajudar ativamente para minorá-la. Colocar-se no lugar do outro, sentindo o que ele sente não é algo natural e por isso cultivar a compaixão deve ser um exercício diário (“Quem pratica a misericórdia, faça-o com alegria”. Romanos 12.8) Quando a prática da misericórdia se torna natural e não sacrificial, espelhamos mais claramente a imagem de Deus. (“Porque eu quero a misericórdia e não os sacrifícios, o conhecimento de Deus mais que os holocaustos.” Oséias 6.6);

3) GRATIDÃO - o desejo de servir ao próximo nasce de um coração grato pelas bençãos de Deus e que por isso é capaz de amar. Servir pode levar a um senso mais profundo de apreciação pela vida, por tudo o que desfrutamos e que nos capacita a ajudar aos outros. Quando percebemos que por menos que possuamos sempre temos algo a oferecer a alguém, passamos a apreciar mais cada conquista e cada momento de nossa vida. (“E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando graças por Ele a Deus Pai.” Colossenses 3.17);

4) CONEXÃO – servir nos aproxima dos outros e dá-nos a oportunidade de experimentar a glória de Deus nos milagres que acontecem na vida destas pessoas enquanto atendemos às suas necessidades (“Procuremos, portanto, aquilo que leva à paz e à edificação mútua.” Romanos 14.19) É maravilhoso poder ajudar alguém sem esperar nada em troca ao mesmo tempo que pedimos as bênçãos de Deus sobre nossas ações. Um pequeno gesto pode causar grandes resultados na vida de alguém. (“Venham sobre nós as graças do Senhor, nosso Deus! Confirma em nosso favor a obra das nossas mãos; faz prosperar a obra das nossas mãos.” Salmo 90.17). Como a prática das boas obras faz parte do plano de Deus para a humanidade, logo, ao servir aos outros vivenciamos sua perfeita vontade em nossas vidas, aproximando-nos mais Dele (“Porque fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas obras que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos.” Efésios 2.10). Saber que Deus nos escolhe e nos usa para ajudá-Lo é uma grande honra.

Mas, afinal, quais são algumas maneiras pelas quais podemos exercitar a Espiritualidade do Serviço neste final de ano apesar da correria do dia a dia?

1) Comece pela sua casa. Na correria do final do ano é comum nos irritarmos mais facilmente ou lamentarmos o quanto de trabalho doméstico é necessário fazer com o pouco tempo disponível. É então que a disciplina do serviço precisa ser aplicada: fazer os serviços mais corriqueiros e enfadonhos para Deus e com gratidão muda tudo! Mais que ter uma casa ornamentada para o Natal, é importante ter uma família em paz e harmonia. (“Se alguém não cuida dos seus, e principalmente dos da sua própria casa, renegou a fé e é pior que um infiel.” 1Timóteo 5.8) Devemos começar servindo às pessoas com as quais Deus já nos abençoou antes de nos dedicarmos ao mundo exterior. Evitar atritos desnecessários, cultivar bons relacionamentos, desfrutar ao máximo o tempo em família, tornando cada momento agradável e memorável. Se tem filhos, aproveite este período para fazer atividades com eles como ornamentar juntos a casa para o Natal, preparar juntos as refeições especiais e tudo o que for possível. Serão estes os momentos que ficarão para sempre em suas memórias e não os brinquedos caros ou o jantar perfeito.

2) Sirva às pessoas de maneiras pequenas e inesperadas. Um pequeno ato de bondade pode transformar a vida de alguém. Não subestime as pequenas coisas (“O senhor disse-lhe: Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.” Mateus 25.21). Uma mensagem de carinho, de estímulo, um elogio, um pequeno presente como um bombom, um sorriso, um abraço, um ombro amigo ou a disposição de ouvir são sempre bem-vindos. Pare e pense em maneiras de demonstrar bondade e gentileza para com os outros. Quem sabe você não pode ceder seu lugar em uma fila para alguém ou oferecer-se para pagar por um lanche a um necessitado. Pequenos atos de bondade podem parecer simples, mas nunca se sabe o impacto que podem ter na vida de alguém.

3) Identifique as pessoas mais necessitadas em sua região e comece a servir. Seja voluntário em alguma instituição, doe itens para um abrigo para moradores de rua ou uma cesta básica. Organize um bazar ou uma venda de bolos e doe o valor arrecadado para uma instituição de caridade. Visite um lar de idosos ou um orfanato. Se souber de alguém que passará o final do ano sozinho, convide-o para a ceia de Natal ou de ano novo. Há muitos estrangeiros aqui que não possuem família em Portugal. Se conhece alguém assim, convide-o para passar o Natal ou o Ano-Novo com sua família. A época das festas de final de ano é a que mais traz sentimentos de solidão e tristeza para aqueles que estão longe de sua casa e família. Eu já estive nesta situação e posso dizer que foi maravilhoso receber um convite para celebrar o Natal junto a uma família amiga aqui em Portugal. Existem muitas maneiras de servir aos outros. Ore e deixe Deus lhe guiar onde Ele mais precisa de você! (“Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.” Mateus 25:40).

Neste final de ano, esforce-se para diariamente encontrar formas de servir e vivenciar o ensino: “Mais bem-aventurado é dar que receber.” (Atos 20.35). E você verá que a pessoa que mais ganhará com isto será você.


Lidice Meyer 

Doutora em Antropologia, Professora no Mestrado em Ciência das Religiões da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, autora do livro: “Cristianismo no Feminino” da Editora Mundo Cristão.


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