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A mulher que o pergaminho mais antigo do Novo Testamento não deixa esquecer

  • Foto do escritor: Lidice Meyer
    Lidice Meyer
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura


O texto mais antigo do Novo Testamento encontrado até hoje é chamado de Papiro Magdalena ou P64. Se você pensou que ele tem este nome por causa de Maria Madalena, errou! Trata-se de três pequenos fragmentos de papiro escritos em ambos os lados com algumas palavras em grego do capítulo 26 do Evangelho de Mateus. O nome Magdalena está relacionado ao Magdalena College em Oxford onde foi catalogado em 1901 ganhando a partir daí este nome. Os fragmentos foram datados como pertencentes ao período de 35 a 70 d.C.

São apenas três pequenos e frágeis fragmentos, mas que preservam 24 linhas do texto do Novo Testamento. No fragmento 1 encontra-se o texto Mateus 26.7-8: “Aproximou-se dele uma mulher, trazendo um vaso de alabastro cheio de precioso perfume, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele à mesa. Vendo isto, indignaram-se os discípulos e disseram: Para que esse desperdício?”  O fragmento 3 traz o texto de Mateus 26.10: "Mas Jesus, sabendo disso, disse-lhes: Por que molestais esta mulher? Ela praticou boa ação para comigo."

Não é curioso que dois dos três fragmentos mais antigos do Novo Testamento tragam justamente um texto sobre uma mulher cuja ação Jesus profetizou que não seria esquecida enquanto o evangelho fosse pregado? (Mt 26.13)

O nome desta mulher não foi preservado. Há quem a associe a Maria de Betânia e ainda quem a associe a uma mulher pecadora, mulheres que efetuaram uma ação semelhante: ungir Jesus. Mas, cada uma destas mulheres atuou em um local e um momento diferente. A mulher que Jesus perdoou (chamada de pecadora) ungiu seus pés no início de seu ministério, na casa de um fariseu, na presença de muitos (Lc 7.36-50). A mulher anônima retratada no papiro 64 ungiu a cabeça de Jesus anunciando a proximidade de seu sacrifício perante os discípulos na casa de Simão, o leproso (Mt 26.6-13). Já Maria de Betânia, em sua casa, unge os pés de Jesus na semana da sua última Páscoa, em um momento presenciado só por seus amigos mais íntimos (Jo 12.3).

É realmente belo e significativo que a memória da ação da mulher que anunciou o sacrifício vicário de Jesus seja preservada num pergaminho que recebeu o nome da mulher que anunciou sua ressurreição. 

Sim, o pergaminho 64 é uma lembrança de que as mulheres que se dedicaram e ainda hoje se dedicam ao serviço de Cristo, mesmo que anonimamente, continuarão a ser lembradas onde quer que o Evangelho seja pregado, para a glória de Deus.


Lidice Meyer

Doutora em Antropologia, Professora na Universidade Lusófona em Portugal e autora do livro Cristianismo no Feminino, Editora Mundo Cristão

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