- Lidice Meyer

- 22 de dez. de 2025
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Jesus é o personagem central do Natal, mas seu nascimento se deu a partir do sim de uma jovem camponesa de Nazaré. A coragem de Maria ao aceitar o desafio do anjo já antevendo sua situação embaraçosa pelos nove meses seguintes é realmente espantosa. Quantas perguntas terão passado pela sua mente além da que foi registrada pelo evangelista (Lc 1.34) até sua resposta. “que se cumpra em mim conforme a sua palavra.” (Lc 1.38) Foi o sim de Maria que permitiu a realização do plano de salvação traçado por Deus para a humanidade. O profeta Isaías já havia predito que uma jovem virgem conceberia um menino que seria o Deus Conosco (Is 7.14; 9.6-7) e o profeta Miquéias predisse que este nascimento se daria em Belém (Mq 5. 2-4).
E assim, Deus, todo-poderoso e eterno, se fez indefeso e mortal concebido no ventre de uma jovem mulher da Galileia. Em Belém, a casa do pão, nasceu aquele que é o Pão da Vida. Foi no ventre de Maria que o Pão de Deus que desceu dos céus (Jo 6.51) cresceu, alimentado pelo cordão umbilical, recebendo o sangue nutritivo de uma mulher até o seu nascimento.
Nasceu pequeno, nu, desprotegido, indefeso e dependente de cuidados, proteção e alimento. Na estrebaria em Belém sua voz se fez ouvir pela primeira vez. Tinha fome. E foi o leite dos seios de Maria que saciou a fome de Deus. Tinha frio e aconchegou-se no colo de sua mãe e o calor do corpo de Maria aqueceu o corpo de Deus. Foi o leite de Maria que concedeu os tão necessários anticorpos que o protegeram das doenças tão mortais e comuns em seu tempo.
Cuidado e alimentado por Maria, Jesus venceu as dificuldades que muitas crianças enfrentavam nos primeiros anos de vida, cresceu e se fortaleceu fisicamente (Lc 2.40). Quantas devem ter sido as noites em claro passadas por Maria no cuidado com seu bebê, os chazinhos de ervas, os acalantos para embalar o sono, as preocupações com as dores de ouvido ou outros problemas infantis e as roupinhas preparadas com carinho de mãe. Quanta responsabilidade e quanto amor estiveram envolvidos nos primeiros anos de vida de Jesus para que o plano de Deus fosse realizado na Páscoa, 33 anos depois (Gl 4.4).
Sim, é verdade: sem Maria não haveria o Natal que tanto estimamos e celebramos. Isabel estava certa ao exclamar: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre.” (Lc 1.42). Para haver o fruto, é necessário existir antes, a flor. Maria é a flor na árvore da humanidade escolhida por Deus para o cumprimento de seu plano. “Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres!” (Lc 1.28).
Lidice Meyer
Doutora em Antropologia, Professora na Universidade Lusófona, em Portugal
Autora do livro “Cristianismo no Feminino” pela Editora Mundo Cristão.
