• Lidice Meyer

PROFESSOR: UMA QUESTÃO DE PAIXÃO


Sou professora! Não me importam os títulos obtidos nos muitos cursos que fiz. Eles são complementos para o que realmente sou: professora!

Quando criança vi em meus professores homens e mulheres de muito saber e respeito, dignos de serem imitados. A palavra e a integridade de um professor eram inquestionáveis. Tanto que muitos tiveram seus nomes eternizados em ruas, praças, escolas e instituições educacionais. Podem dizer que ensinar está no sangue, já que sou filha, sobrinha e neta de professores. Mas ensinar não está no sangue: está no coração. Ser professor é uma questão de paixão. É dedicar-se ao máximo para trazer conteúdos relevantes e instigantes à curiosidade do aluno. É lutar por melhores condições de ensino e do educando. Professor é aquele que tira do próprio bolso para reforçar uma merenda fraca de seus alunos ou para criar uma boa aula de ciências quando a escola não tem um laboratório.

Em mais de 25 anos de carreira docente tive o prazer de trabalhar com alunos desde o fundamental ao pós-doutoramento. A idade nunca importou. O desafio sempre foi o mesmo: causar interesse para que o aluno busque as respostas por si. Mas meu desafio favorito eram os alunos do fundamental. Idade em que a curiosidade nata do ser humano ainda não havia sido cerceada de todo e que ainda era possível ver claramente em seus olhos o brilho do prazer da descoberta. Ensinar a ver no chão a beleza das rochas e da areia e ao mesmo tempo ensinar a olhar além das estrelas. Mostrar o que está além do que se vê, a enxergar com os olhos do coração. Não foi uma única vez que recebi uma mãe preocupada com o filho que passou a colecionar pedras ou a pedir uma luneta de presente. Esse é a melhor paga de um professor: perceber que seu aluno agora voa por conta própria.

A pandemia resignificou os métodos do ensino. Os professores tiveram de se adaptar ao ensino on-line, ter o trabalho multiplicado para criar conteúdos e atividades mas o objetivo de tudo se manteve o mesmo: criar a alegria de pensar por si. O Covid trouxe para dentro das casas e para mais para perto dos pais a figura e a importância do professor. Muitos pais passaram a acompanhar mais de perto o estudo e o aprendizado dos filhos. Criou-se uma oportunidade de maior co-participação na educação. É importante aproveitar este momento para redescobrir o valor do profissional do ensino.

Culpa-se frequentemente o professor pelo baixo desempenho dos alunos mas muitos desconhecem que este profissional trabalha muito mais horas fora da classe. Além das atividades que tem fora do horário de aula (elaboração da aula e de atividades, provas, trabalhos, correções, testes, projetos) ainda precisa manter os diários, planos de aula, fichas avaliativas, formulários, lidar com a indisciplina e desrespeito dos alunos e ainda em muito casos, com o baixo salário.

Com tudo isso acima, era de se esperar que a carreira docente estivesse em extinção! Mas há mais de 2,5 milhões de professores no Brasil! A única explicação viável é que ser professor é uma questão de paixão.

Nos tempos que estamos vivendo, mais que nunca, os pais devem compreender o valor deste profissional e ensinar a seus filhos a reconhecer também esta importância. Nossos filhos aprendem pelo nosso exemplo. Se valorizarmos o professor como uma peça fundamental na formação de indivíduos capacitados para a vida, será assim que nossos filhos também olharão para seus mestres. Esse é o reconhecimento que todo professor merece.

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