Edith Stein e a feminilidade bíblica


Muito se tem publicado hoje nas redes sociais sobre feminilidade bíblica como se houvesse uma fórmula especial na Bíblia sobre como uma mulher deveria agir para ser “feminina”. O que poucos sabem é que há quase 1 século uma teóloga já havia se debruçado sobre o tema e escrito sobre os 4 pilares da feminilidade: Edith Stein.
Edith Stein nasceu em 1891 em uma família judia na Polônia. Graduou-se em filosofia e letras e defendeu a tese de doutorado: “Sobre o problema da empatia”. Foi a segunda mulher a receber um título de doutorado em filosofia na Alemanha e a primeira a solicitar que as mulheres recebessem o título de “professoras”.
Em meio aos seus estudos, Edith leu os Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola que lhe impressionaram muito, levando-a a realizar as meditações propostas no livro por 30 dias. Algum tempo depois leu a autobiografia de Teresa de Ávila e abraçou o cristianismo em 1921. Por cerca de 10 anos foi professora em um instituto religioso e no Instituto Alemão de Pedagogia Científica até receber o hábito de carmelita e assumir o nome de Teresa Benedita da Cruz. Em 1942 foi levada pela Guestapo para o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau onde foi assassinada na câmara de gás. Em 1998 foi canonizada pelo Papa João Paulo II e desde 2024 espera pelo reconhecimento de Doutora da Igreja.
Para Edith Stein, a feminilidade é a chave para compreender a imagem de Deus nas mulheres e a sua missão no mundo. Ela escreveu sobre os quatro pilares da feminidade fundamentados na maior das virtudes: o amor.
O primeiro pilar é a Receptividade. A mulher que se abre para o outro criando espaço para amar eleva a sua compreensão do mundo e se torna uma pessoa melhor.
O segundo pilar é a Generosidade. Segundo Edith Stein a alma feminina “se revela sensível às realidades pessoais, à harmonia, ao global. A atenção da mulher se centra naturalmente nas pessoas.” Quando a mulher transforma o amor em cuidado, ela se realiza.
O terceiro pilar é o da Dignidade. Diz Edith Stein: “Toda mulher pode responder à sua vocação – não importa se é para o matrimônio, para uma comunidade religiosa ou uma profissão”. A mulher deve estudar, trabalhar e atuar na sociedade sem perder a sua essência de mulher. Não se trata de uma competição constante com os homens, mas de viver plenamente o que Deus sonhou para ela.
O quarto e último pilar é o da Maternidade. Segundo Edith Stein, “as mulheres buscam, por natureza, abraçar o que é vivo, pessoal e completo. Amar, proteger, nutrir e educar são desejos naturais e maternais”. As mulheres dão a vida e a nutrem naturalmente, seja a filhos biológicos, espirituais, sonhos, projetos ou amizades. “A alma da mulher é moldada para ser abrigo na qual outras almas possam desabrochar.”
Em meio a tantas discussões fúteis na internet e nas igrejas a respeito de paleta de cores a usar ou regras de modéstia feminina, a teóloga Edith Stein nos ensina que o caminho da dignidade feminina não está no exterior, mas sim em uma renovação de mente e coração, capaz de resgatar o precioso valor original presente na mente de Deus.
Lidice Meyer
Doutora em Antropologia, autora do livro “Cristianismo no Feminino” (editora Mundo Cristão)




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