• Lidice Meyer

Corações de gratidão nas paredes de meu quarto de estudos


Quero compartilhar uma das maiores alegrias que tenho como professora: ver os alunos produzindo e sendo gratos pelo aprendizado. O professor é apenas um dos instrumentos para o aprendizado de um aluno, mas mesmo sendo um dom, o ensino não é gratuito.


Um professor se prepara, estuda horas a fio, interpreta, reescreve, esquematiza, tudo visando facilitar a compreensão de um assunto pelo aluno. São noites em claro e tempo longe da família que são recompensados quando vemos que a semente plantada frutifica.


Assim como na parábola do semeador, algumas sementes caem em uma terra tão boa que brotam e frutificam frutos de gratidão. Nestes mais de vinte e cinco anos de magistério, não foram poucos os trabalhos de alunos que recebi em que meu ensino foi a referência de start ou de desenvolvimento do raciocínio. Gratidão é a melhor palavra que se identifica com o meu sentimento ao ver estes alunos crescendo e frutificando.


Mas assim como a chuva cai sobre bons e maus, o ensino é distribuído indistintamente e algumas sementes acabam por cair em solo rochoso e seco. As sementes do conhecimento também nascem nesse solo e frutificam, mas os frutos são secos de ingratidão. Quantos também não foram os trabalhos de que tomei conhecimento, claramente inspirados em meus ensinos mas que sequer fazem menção às aulas nas referências bibliográficas! Escrevi uma vez sobre isto: “ética: questão de escolha”.


O texto da cura dos dez leprosos por Jesus (Lc 17.11-19) mostra que infelizmente a ingratidão é mais frequente que a gratidão. E é por isso que os frutos da gratidão valem tanto! Cada fruto de um coração grato de aluno é um combustível precioso para o coração de um professor.


Em tempos em que a profissão de professor é tão desvalorizada pelo mercado de trabalho e pela sociedade, eu coleciono corações gratos. Vou pendurando-os um a um nas paredes de meu quarto de estudos. Eles me iluminam, me fortalecem e me guiam para que a semeadura continue a ser feita. Noites em claro continuarão a vir, mas agora além da luz das estrelas eu tenho a luz de meus alunos.

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