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  • Foto do escritorLidice Meyer

9 DE NOVEMBRO: TEMPO DE NÃO ESQUECER!

Atualizado: 9 de mar. de 2020

Um dos mais belos textos da Bíblia está no capítulo 3 do livro de Eclesiastes em que o autor revela que “para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu”: derrubar ou construir, chorar ou rir, prantear ou dançar, espalhar pedras ou ajuntá-las, abraçar ou se conter, procurar ou desistir, calar ou falar, amar ou odiar, lutar ou viver em paz.

Todos os dias de nossas vidas temos escolhas a fazer. Há dias em que temos opções de escolhas completamente opostas. Há dias em que a escolha parece óbvia e outros em que a dúvida é mais forte que a certeza.

Em um mundo cada vez mais globalizado algumas escolhas que fazemos influenciam toda a comunidade planetária. O dia 9 de novembro nos remete a escolhas tão cruciais que nos fazem refletir sobre o futuro que queremos para nós e para nossos descendentes. Dois eventos que ocorreram em Berlim, com 5 décadas entre eles nos levam a pensar sobre nossas atitudes nos dias de hoje.

Há exatos 81 anos, a noite de 9 de novembro ficou conhecida por “Noite dos Cristais” (Kristallnacht), quando em Berlim mais de 1000 sinagogas e 7500 espaços comerciais de judeus foram queimados ou totalmente destruídos, enchendo as ruas de estilhaços de vidros. Casas, hospitais e escolas foram saqueados. Inocentes foram espancados, presos ou mortos. 30.000 judeus foram levados a campos de concentração e 16.000 levados à Polônia cujo governo preferiu se omitir não os recebendo. Após uma semana sem abrigo ou alimento, foram encaminhados de volta aos campos de concentração na Alemanha. Era o início do imenso genocídio efetuado pelo regime nazista.

51 anos se passaram e Berlim se tornou novamente o palco de um acontecimento marcante para a história da humanidade. Em 9 de novembro de 1989, há exatos 30 anos, caiu por terra o símbolo do separatismo e da intolerância: derrubou-se o muro de Berlim. Uma cidade e um povo que viviam separados por quase 3 décadas (1961-1989) se tornaram novamente um só povo, uma só cidade em um país unificado. Como o véu do templo, a cortina de ferro foi rasgada de cima a baixo!

9 de novembro: uma data, dois eventos. De um lado opressão e medo, do outro libertação e alegria. Dois momentos da história nos apontam que não há duas escolhas para a humanidade. Não há espaço para intolerância e violência como ocorreu há 81 anos e é necessário derrubar os muros invisíveis que podem nos separar, sejam religiosos, étnicos, sociais, econômicos ou quaisquer outros. O Teólogo Hans Küng aponta para a necessidade de uma ética global nascida do esforço para o entendimento inter-religioso em nível mundial. O futuro do planeta e da humanidade depende desta nova postura: a abertura para o diálogo e a aceitação do outro. Uma ética universal que transcende as fronteiras das religiões e dos países tornando-nos um só povo, simplesmente Humanos.

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4 Comments


monicabbgm
monicabbgm
Nov 10, 2019

Muito pertinente nos trazer à lembrança dois fatos que foram divisores de águas na história da humanidade. Incrível como hoje boa parte da raça humana vive como a galinha: só olha pra baixo e acha que o mundo é o que está ao alcance de seu bico.

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Cynthia Melges Vieira
Cynthia Melges Vieira
Nov 09, 2019

Estamos novamente numa encruzilhada, espero que Deus não nos tenha deixado provar o "deserto" ! A História se repete quando não a olhamos com olhos de sabedoria e entendimento! Bem colocado, Dra. Lídice!

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Fernando Berlezzi
Fernando Berlezzi
Nov 09, 2019

Excelente texto Profa Lídice. Naquela época foram os judeus, hoje são os refugiados sírios, venezuelanos, haitianos. Deus sempre nos possibilita oportunidade para sermos solidários e cada vez mais tolerantes num mundo onde cada vez menos as pessoas ouvem, enxergam e percebem umas às outras. Precisamos retomar o sentido de "ser humano" e o respeito, tolerância e amor são as bases para isso.

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Ezoil Paniagua Benites
Ezoil Paniagua Benites
Nov 09, 2019

Me parece, que como brasileiros, não temos uma memória histórica, nem para os nossos próprios atos do passado e como esses dois fatos não são "nossos", na verdade nem sabíamos, entretanto são acontecimentos que pertencem a humanidade e neles nos incluímos. Parabéns pelo artigo, oportuno e necessário.

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